segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tulipa Ruiz + Céu na Virada Cultural

Sou a favor da Virada Cultural. Acho a iniciativa positiva, gosto da ideia de revitalizar o centro de São Paulo e também (com algumas ressalvas) da programação variada. O orçamento é muito pequeno (R$ 8 milhões, algumas centenas de atrações) e provavelmente a razão da infra-estrutura tão insuficiente. Falta limpeza (e educação do paulistano, claro) mas também falta segurança e uma distribuição melhor de palcos - a de 2008 foi a melhor nesse sentido.

Dito isso, vamos aos shows. Só assisti as apresentações da Céu e daTulipa Ruiz, e ambas foram excelentes.


A Céu, que tocou no festival de Coachella, na Califórnia, há menos de um mês atrás, está apenas no segundo disco mas já tem segurança de uma cantora de carreira feita. "Vagarosa", disco já foi comentado aqui algumas vezes, deu pra Céu não apenas um repertório, mas uma roupagem completa: visual, sonora, de atmosfera, banda, produção, figurino e presença de palco.

Ver uma multidão em plena Praça da Luz assistindo e cantando junto foi bem bonito - especialmente para uma cantora que começou pequena assim. Acima, ela canta a climática "Grains De Beauté", faixa que mistura dub, samba, trip-hop e mpb no mesmo caldeirão:



Já Tulipa
tem uma voz belíssima, lança no dia 27/05 o seu primeiro disco, "Efêmera", no Auditório Ibirapuera, e tem um repertório bem autoral. As letras tratam principalmente de pirações do universo feminino: auto-imagem, romances e afins. O som é pop, tem apelo radiofônico, bastante de rock, mas o mais importante de tudo é que ela tem carisma pra cacete. O suficiente para dispensar comparações com Gals, Marisas Montes e afins.

A prova disso era o público bem grande, e cantando junto: no vídeo acima, onde ela canta "Só sei dançar com você", dá pra ouvir a galera em coro.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Menos cabaré, mais coração: Thiago Pethit leva "Berlim, Texas" ao palco

Rolou nessa quinta-feira (25.03) no SESC Vila Mariana, em São Paulo, o show de lançamento de "Berlim, Texas", primeiro disco do cantor paulistano Thiago Pethit.

Com o auditório lotado por uma plateia curiosa para dizer o mínimo- que ia de Gloria Kalil a Lúcio Ribeiro, passando por Jackson Araújo, gente da noite paulistana e claro, fãs - resultado do extenso destaque que Thiago teve na imprensa: de capas na Ilustrada (Folha De S. Paulo) e Caderno 2 (Estadão), a páginas nas semanais Época e Veja, além de inúmeros veículos online (inclusive o FFW, onde publiquei uma entrevista e vídeo).

Thiago por Caroline Bittencourt

Mas vamos ao show. A grande surpresa da apresentação é a mudança de clima em relação ao álbum - se em estúdio Thiago evoca um cantor de cabaré ou o cinismo dos Vaudevilles americanos, ao vivo ele mostra mais vocação para um Jeff Buckley, intenso e apaixonado, do que para cantor de chanson maltrapilho. Um "falso tímido" no palco, ele se arma do background no teatro para conduzir o (bem-feito) roteiro, acompanhado por uma banda composta de cello, acordeon, piano, violão/banjo e bateria, que dá corpo e engrandece os arranjos.

Enxuto, o repertório de uma hora é suficiente para que o show se mantenha fresco, cobrindo tanto a teatralidade do EP "Em Outro Lugar" quanto o disco recente, com um cover de "Bad Romance", da Lady Gaga", quebrando o gelo no meio. Num dos melhores momentos, ele senta ao piano para tocar "Sweet Funny Melody"; pouco depois, um dueto com Hélio Flanders em "Forasteiro", em que Thiago dá um banho no vocalista do Vanguart no quesito presença de palco.

Uma das poucas ressalvas foi o aparente nervosismo do crooner - apenas na última música Thiago começou a se soltar. "Agora que eu estava começando a gostar", brincou com a plateia. Mas a essa altura, ele já não precisava mais de esforço - e todo garoto e garota no auditório foi para casa pelo menos um pouco apaixonado.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

CSS, Céu, Cidadão Instigado: o fotógrafo Marcelo Gomes dá cara à música nacional

Capa de "Vagarosa", disco mais recente da cantora Céu

O disco da Céu, Vagarosa, é de uma elegância sem tamanho. Puxado pro trip-hop, com pegada jazzy e um pouco de reggae, foi produzido por Beto Vilares, Gustavo Lenza e Gui Amabis. Daí que saiu há algumas semanas esse vídeo classudo para Grains De Beauté, dirigido por Renan Costa Lima e com fotografia de Marcelo Gomes (que também clicou o encarte do álbum). Dá uma olhada:



Marcelo também é o responsável pela capa de outro disco fantástico de 2009: Uhuul!, do Cidadão Instigado. Se você não ouviu, é obrigatório. O CI resgatou o melhor do rock oitentista, com uma boa dose de bom humor e contruções de arranjos e melodias quase anárquicas em cada faixa (e no disco como um todo). Ainda assim, Fernando Catatau e o quarteto conseguiram fazer um disco acessível e cheio de ganchos pop. Vá ao Myspace do grupo cearense e ouça "Escolher Pra Quê".

Capa de Uhuul!, disco mais recente do Cidadão Instigado: linguagem linear

Mas voltando à estética, essa história de capas com linguagens parecidas é muito interessante - especialmente em uma década tão DDA quanto essa, onde não se dá atenção a nada por mais que cinco minutos. Ainda mais quando se trata de uma linguagem interessante como esse "novo naturalismo" de Marcelo Gomes, (conheça mais no seu site oficial), e com artistas tão legais quanto os com quem ele têm trabalhado.

Luísa Lovefoxxx, vocalista do CSS, em foto de Marcelo Gomes

...O que me lembra que está rolando uma exposição com todas as capas de disco da Elenco, gravadora legendária da Bossa Nova, que não só lançou e nutriu grandes nomes (Nara, Vinicius e por aí vai) e gravações, mas deixou um legado muito rico para o design nacional. Está no museu Tomie Othake, em São Paulo. Vai até 10 de janeiro. Clique aqui para ler mais.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O papel da TV na indústria da música

Dois artistas muito bons tocaram em dois programas muito bons da TV gringa nessa semana. Primeiro, a britânica Florence Welsh, do Florence and The Machine, tocou no David Letterman. Depois, Julian Casablancas, dos Strokes, no programa Conan O'Brian - junto ao lançamento do seu disco solo. Acho engraçado a atenção grande que a TV americana dá aos artistas pequenos e de qualidade, tão grande (e às vezes maior) do que para artistas que já estão no topo dos charts e de forte apelo radiofônico.

E também acho que, dos anos 90 para cá, a TV brasileira perdeu esse papel importantíssimo na engrenagem da indústria da fonográfica, de disseminar artistas de qualidade para o grande público - como se música boa e música popular fossem conceitos distantes um do outro, quando na verdade eles devem ser próximos. Se nos anos 80 bandas cheias de conteúdo como Titãs ficaram famosas, foi em muito porque a TV (Faustão, Fantástico, e programas de enorme audiência) e as rádios os deram o devido apoio.





quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Mickey Gang @ SESC Pompéia

Fui conferir o show desses quatro meninos de Colatina, ES, que rolou ontem no SESC Pompéia, em São Paulo. Com apenas um EP lançado, "Horses Can't Dance", eles ficaram relativamente "conhecidos" ao aparecerem na seção "Nova banda do dia" do jornal britânico The Guardian, que os descreveu como "A coisa mais quente vinda do Brasil desde o CSS".

Photobucket

O show foi curtíssimo (afinal, eles quase não tem repertório e nasceram nos 90, a geração DDA), mas deu pra sacar que os garotos tem muita sensibilidade pop e pouca habilidade técnica. Também acho que, para fazer tanto sucesso no exterior quanto o CSS, eles precisam de um diferencial que vá além da música - no caso de Lovefoxxx e cia., era o fator carnavalesco/abravanista dos seus shows.



Dito isso, os acertos são vários: vocais virtuosos, synths pegajosos e faixas dançantes. O vocalista ainda anunciou que eles entram em estúdio até o final do ano para gravar o primeiro álbum. Assista abaixo um vídeo de "Horses Can't Dance":



+http://www.myspace.com/mickeygang

sábado, 10 de outubro de 2009

Lulina no MIS

Fui nessa sexta-feira (09.10) ver o show de lançamento de "Cristalina", o primeiro disco da Lulina, no auditório do MIS, em São Paulo. O CD, lançado via YB (que completa 10 anos nesse mês) depois de mais de três anos de preparação, faz valer o tempo de espera. Aliás, se você não gosta de rasgação de seda, pare de ler agora (mas não deixe de assistir os videos abaixo).


Lulina é recifense, chegou em São Paulo há 6 anos para trabalhar com publicidade, mas desde bem antes já arriscava na música. "Comecei a fazer musica como hobbie, no microfoninho do computador, com vioão desafinado". Os disquinhos circulavam apenas entre amigos próximos, rede que foi se expandindo com o tempo, e alimentando a expectativa de um álbum "de verdade".

O "folk de apartamento" dela é doce e soa meio naif, com letras cheias de jogos de palavras e referências ao imaginário feminino e infantil. Mas de inocente, Lulina não tem nada: ela fala das agruras da vida de adulto, da solidão da cidade grande, das horas de trabalho exageradas, dos romances mal-resolvidos e das contas pior ainda. Talvez por tudo isso que só em 2009 ele se concretizou. O engraçado é que o debut da Lulina é também um "greatest hits" da sua carreira.



Vendo o show, cheguei a conclusão de que o tempo realmente fez bem tanto a cantora, quanto às canções. Essas três anos de maturação levaram as faixas, antes simples, a serem exploradas ao máximo em termos de vocais, de arranjos, e de produção. Ficou bem-acabado, bem-resolvido e substancioso.



A apresentação contou com o parceiro de crime Leo Barbalho (um dos talentos mais bem-escondidos da música nacional) nas bases e teclados, além de um time de primeira no banjo + guitarra+ baixo+ violino + clarinete + bongô + guitarra. "Esse é um trabalho de amigos", disse Lulina no final do show. E como mesmo de longe, eu acompanho com olhos de amigo, fico orgulhoso e feliz pra caramba. Parabéns, galera.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Novo clipe da Lady Gaga: Paparazzi

Depois de ser fotografada por David LaChapelle para a capa da Rolling Stone, agora foi o diretor Jonas Arkelund de trabalhar com Lady Gaga. O cara, responsável por alguns dos clipes mais legais das últimas duas décadas, (Madonna, Prodigy), é quem dirigiu Paparazzi, o novo single europeu da cantora.

O vídeo têm quase 8 minutos, formato de curta-metragem, narrativa dramática, mil trocas de figurinos absurdos, coreografias, etc etc. Lembrando que a cantora deve passar pelo Brasil no segundo semestre - inicialmente para apresentações na TV e rádio - mas pode se apresentar em São Paulo e Rio. Assista abaixo:


 
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