Com o auditório lotado por uma plateia curiosa para dizer o mínimo- que ia de Gloria Kalil a Lúcio Ribeiro, passando por Jackson Araújo, gente da noite paulistana e claro, fãs - resultado do extenso destaque que Thiago teve na imprensa: de capas na Ilustrada (Folha De S. Paulo) e Caderno 2 (Estadão), a páginas nas semanais Época e Veja, além de inúmeros veículos online (inclusive o FFW, onde publiquei uma entrevista e vídeo).
Mas vamos ao show. A grande surpresa da apresentação é a mudança de clima em relação ao álbum - se em estúdio Thiago evoca um cantor de cabaré ou o cinismo dos Vaudevilles americanos, ao vivo ele mostra mais vocação para um Jeff Buckley, intenso e apaixonado, do que para cantor de chanson maltrapilho. Um "falso tímido" no palco, ele se arma do background no teatro para conduzir o (bem-feito) roteiro, acompanhado por uma banda composta de cello, acordeon, piano, violão/banjo e bateria, que dá corpo e engrandece os arranjos.
Enxuto, o repertório de uma hora é suficiente para que o show se mantenha fresco, cobrindo tanto a teatralidade do EP "Em Outro Lugar" quanto o disco recente, com um cover de "Bad Romance", da Lady Gaga", quebrando o gelo no meio. Num dos melhores momentos, ele senta ao piano para tocar "Sweet Funny Melody"; pouco depois, um dueto com Hélio Flanders em "Forasteiro", em que Thiago dá um banho no vocalista do Vanguart no quesito presença de palco.
Uma das poucas ressalvas foi o aparente nervosismo do crooner - apenas na última música Thiago começou a se soltar. "Agora que eu estava começando a gostar", brincou com a plateia. Mas a essa altura, ele já não precisava mais de esforço - e todo garoto e garota no auditório foi para casa pelo menos um pouco apaixonado.


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